Nas suas últimas horas uma pessoa pode ser tudo o que não sabe. Sendo negra pode experimentar ser branca; se não é negra nem branca pode experimentar ser um pardal. Sendo jovem pode experimentar ser velha; se não é jovem nem velha pode experimentar ser uma raiz. Sendo homem pode experimentar ser mulher; se não é homem nem mulher pode experimentar ser a sombra de uma criança. Quando um canto antigo se tornar seu único meio para lembrar sua história será necessário que ela busque estar acordada também dentro dos seus derradeiros sonhos, ou que não durma antes do sol raiar, senão todos os diamantes que inocentemente escondeu do tempo, em algum lugar secreto, virarão carvão e queimarão sem calor, ou se tornarão o grafite para um livro que não escreverá.
Luciano Mendes de Jesus pesquisa, cria e leciona na interface entre teatro e música. Bacharel em Artes Cênicas (UNICAMP), técnico em Percussão Popular (EMESP), mestre em Música e doutorando em Artes Cênicas (ambos pela USP). Integrou o Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards (Pontedera/Itália) de 2013 a 2015. Leciona atualmente na Escola Livre de Teatro de Santo André – ELT. Coordena a ação artística Ponte Elemento Per e desenvolve a Plataforma Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante, explorando as relações entre cosmopercepções, performatividades e musicalidades africano-diaspóricas, atuação e criação teatral. Através desta plataforma realizou os projetos Trilogia Vissungueira, O que é dos Antigos/What is from the Ancients e A Grande Encruzilhada: Brasil + EUA, além de uma série de intercâmbios internacionais, conferências, palestras e workshops.
Atuação, direção, dramaturgismo e concepção sonoro-musical: Luciano Mendes de Jesus
Iluminação e operação de luz: Fagner Lourenço
Fontes textuais: Auguste de Saint-Hilaire, Aires da Mata Machado Filho e José Craveirinha
Orientação artística: Pedro Pires
Orientação teórica: Sônia Queiróz
Produção executiva: Rita Teles (Núcleo Coletivo das Artes Produções)
Design gráfico: Gim