Gira de Conversa: fabulação de imagens
Com Deise de Brito e Guilherme Diniz
Participação de Verusya Correia e Péricles (Núcleo da Tribo / BA), F. Tenório Quiñones e Paola Vargas (Casa Tumac/ Colômbia)
Data: 22 de outubro, quarta-feira às 15h
Local: Funarte – Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo – SP, 01216-001
Entrada gratuita
As Giras de Conversa são espaços de reflexões críticas acerca do teatro, da sociedade e da cultura. Elas promovem também encontros com artistas, críticos, pesquisadores e público em geral, para percorrer os caminhos visíveis e invisíveis evocados pelos espetáculos presentes na programação. As conversas serão conduzidas por Deise de Brito e Guilherme Diniz, a partir do processo de pesquisa para a elaboração do Pensamento Curatorial da 4ª edição do Dona Ruth: FTNsp.
Nesta Gira, a conversa tem como objetivo pensar as imagens como texto fundamental, simbólico e potente para criarmos imagens que nos faltam, imagens para fabularmos coisas que ainda nem imaginamos. Imagens para dar nós no imaginário coletivo sobre o universo complexo da população negra, a partir de questões transversais para todas as pessoas.
Deise de Brito
Nordestina, baiana de Salvador, nascida e criada no Engenho Velho de Brotas. Morou em São Paulo durante 16 anos. Atualmente está nômade – reside no próprio corpo e mora no mundo. Namora quadril, ocupa-se de si quando escreve, é tia de 08 , madrinha derretida de duas piscianas, artista do corpo, educadora, autora e crítica cultural. Graduada em Licenciatura em Teatro pela UFBA. Formada pela Escola de Dança da FUNCEB. Especialista em História , Sociedade e Cultura pela PUC-SP. Mestra em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP e Doutora em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP. Dedica-se a projetos de formação continuada para profissionais da educação básica. Está professora colaboradora do Mestrado profissional em Artes da Cena da Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH) (SP). Tem experiências com investigações, imersões e compartilhamentos na Áustria, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Neste sentido, vive amores- pesquisas a respeito de artistas negres a partir de diálogos entre corpo, ancestralidade, memória e arquivo nas diásporas negras das Américas – Latina , Caribenha e do Norte – sendo idealizadora e matrigestora do site “Arquivos de Okan”.
Guilherme Diniz
Pesquisador, crítico teatral e professor. É graduado em Teatro (EBA/UFMG), mestre e doutorando em Estudos Literários (FALE/UFMG). É crítico teatral e coeditor do site Horizonte da Cena (MG), tendo já realizado coberturas de diversos festivais de teatro do país, como a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITSP); o Mirada: Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas (SP), o Festival de Curitiba (PR), o Festival Internacional de Teatro de BH (MG) e a Segunda Black (RJ). É membro da Associação Internacional de Críticos Teatrais (IACT/AICT), iniciativa ligada à UNESCO. Realizou graduação-sanduíche na Universidade de Coimbra, pelo programa Abdias Nascimento/CAPES (2017-2018). É consultor e crítico cultural do Prêmio Leda Maria Martins de Artes Cênicas Negras de Belo Horizonte e integra o júri do Prêmio Shell de Teatro. Foi diretor artístico do Teatro Municipal Geraldina Campos de Almeida em Pará de Minas (MG) entre 2019 e 2023.
Verusya Correia:
Doutoranda, bolsista da FAPESB e Mestre do Programa de Pós-Graduação em Dança na UFBA, idealizadora, diretora artística e curadora do Festival de Dança Itacaré, integrante da Associação Casa Ver Arte/ Núcleo da Tribo – grupo de dança, autora do livro Pilates & Dança: livro-aula para práticas de Coreotonia. Nestes últimos anos o grupo Núcleo da Tribo produziu quatro espetáculos de dança contemporânea: Os filhos os contos, Vamos pra costa?, o Toque de guerra e o Samba que Soma; a oficina Da Totalidade ao Vamos pra costa?; duas danças filmadas e intervenções artísticas. Todas essas investigações cênicas partiram das análises do contexto local, relatos das experiências vividas pelos moradores do bairro Porto de Trás – Quilombo Urbano. Dando visibilidade aos modos de organização e composição das poéticas relacionado ao cotidiano, os corpos negros dos moradores do bairro Porto de trás, no município de Itacaré/BA. Hoje é professora substituta da UFSB/CJA. E tem em sua investigação a relação entre dança, cidade e corpo dissidente.
Valmilson Nascimento (Péricles)
Capoeirista, pedreiro e integrante da Associação Casa Ver Arte/Núcleo da Tribo. Atua há duas décadas com cultura popular no Porto de Trás. Desde 2008, investiga a articulação entre corpo negro, ambiente e dança contemporânea, e integra a curadoria do Festival de Dança Itacaré desde 2015. Participa dos espetáculos “Os filhos dos contos”, “Vamos pra costa?”, “Toque de guerra” e “Samba que Soma”.
Francisco Tenório Quiñones:
É licenciado em Dança e engenheiro químico formado pela Universidade de Antioquia, com sólida trajetória como bailarino, coreógrafo e pesquisador das danças tradicionais do Pacífico Sul colombiano. Desde 1988, formou-se em música e dança com a Fundação Escola Folclórica do Pacífico Sul Tumac, entidade que atualmente dirige artisticamente. Sua busca criativa o levou a desenvolver uma proposta cênica inovadora que funde danças tradicionais afro com elementos contemporâneos e gestos cotidianos do território, ressignificando o patrimônio cultural a partir de uma perspectiva atual. Fundador da Fundação Afrocolombiana Casa Tumac em Medellín (2009), lidera processos de formação e criação artística com jovens afrodescendentes, promovendo a cultura do Pacífico como ferramenta de transformação social em palcos nacionais e internacionais. Foi vencedor de diversos prêmios e bolsas tanto de criação quanto de formação, incluindo o Prêmio Nacional de Dança da Universidade de Antioquia – como coreógrafo da obra Atarugao – “rostros invisibles” em 2023.
Paola Vargas
É mestre em Estudos Culturais, coreógrafa e intérprete profissional de dança Afrocontemporânea, formada na África (EDIT – Burkina Faso), licenciada em Educação com ênfase em Dança e designer de moda. Codiretora da Fundação Afrocolombiana Casa Tumac e diretora artística e pedagógica da mesma. Possui mais de 30 anos de trajetória artística e 20 anos como formadora. Seu trabalho está enraizado nas heranças africanas e afrocolombianas, fundindo o tradicional e o contemporâneo para gerar reflexões corporais sobre identidade, território e transformação social. Representou a Colômbia em palcos nacionais e internacionais como bailarina, coreógrafa, docente e pesquisadora, desenvolvendo uma visão crítica e criativa da dança afro e afrocolombiana. Lidera um elenco feminino, que também faz parte da Fundação.