Quilombo Artístico-Pedagógico: Encantamento e imaginação - Infâncias indígenas e negras

Com Cia Arteatro (RR) e Núcleo Abre Caminhos (SP)

 

INSCRIÇÕES ATÉ 21 DE OUTUBRO 

GRÁTIS

Data: 21 a 25 de outubro de 2025, de terça-feira a sábado

Aberto ao público mediante inscrições: 23 a 25 de outubro, quinta-feira a sábado

Formulário de inscrição:https://forms.gle/m9EwZCsmaiWHuTTt9

 Horário: 11h às 14h30 – *no sábado, dia 25, a atividade acontece até às 13h30 

Local:  Sesc 24 de Maio R. 24 de Maio, 109 – República, São Paulo – SP, 01041-001 (próximos dos metrôs República e Anhangabaú – linha vermelha)

Participação e orientação: Luizy Morais Sales (Aravis), Silmara Costa, Daya Roraima, Pam Duarte, Márcio Sergino, Miranda Gonçalves e Lucaz Eusébio

Vagas: 30

Público: Pessoas de todas as idades interessadas em teatro, pedagogia, educação, artes e culturas indígenas e negras. Crianças menores de 13 anos apenas poderão participar se estiverem acompanhadas dos seus responsáveis maiores de idade. 

Atenção! A confirmação da participação será feita por email no dia 22/10

Dúvidas: quilomboartisticodonaruth@gmail.com

Esta residência artística se propõe a pensar ética, estética, poética e politicamente as artes da cena dedicadas às infâncias. Para tanto, os encontros terão como fundamento o encontro, a troca e o compartilhamento dos processos de criação e de metodologias artístico-pedagógicas dos grupos Cia Arteatro (Boa Vista-RR), e do Núcleo Abre Caminhos (São Paulo-SP). 

Cada grupo, ao longo das suas trajetórias pesquisam, sonham e inventam, de diferentes formas, as suas criações cênicas dedicadas às infâncias indígenas e negras no Brasil numa dimensão contra-colonial. Neste espaço de criação,  como esses grupos podem imaginar juntos as múltiplas infâncias indígenas e negras brasileiras? Quais as confluências, contrastes e tensões dos seus processos de criação e metodologias a partir dos seus territórios? É possível propor um olhar que rompa com as concepções hegemônicas e eurocêntricas e que reconheça a infância como potência política, cultural e ancestral? Como compreender as crianças como parte fundamental da vida comunitária em vez de isolada em espaços artificiais? Quais são os caminhos para imaginar infâncias que não sejam forjadas pelo capitalismo e pelo neoliberalismo? Essas e outras questões estarão em jogo e, por isso, serão responsáveis por mobilizar os encontros entre os artistas e participantes. 

Durante essa residência artística, compreenderemos, como uma provocação inicial,  a infância como um campo de disputa política e de produção de conhecimento, articulada para além da faixa etária que determina certa idade para ser uma criança no mundo. Portanto, a infância também será compreendida como um conceito transversal preenchido com amplos significados que qualificam múltiplas formas de ser e estar no mundo. Tais significados são capazes de transcender fronteiras etárias e, mesmo localizados e reconhecidos especialmente em crianças, qualquer outra pessoa pode possuir infância a partir de práticas de encantamento da vida.  

Nesse sentido, ao longo dos encontros, os grupos conduzirão processos criativos que intentarão dar a ver as possibilidades crítico-criativas que as artes da cena, aliadas a outros saberes que produzem, podem oferecer para ampliar as noções das infâncias indígenas e afro-diaspóricas como um projeto para o Brasil.

A Companhia Arteatro foi fundada em 1993 com a proposta de utilizar o teatro como prática educativa e instrumento de transformação social. Desde então, desenvolve uma linguagem cênica própria que dialoga com a estética amazônica e aborda temáticas sociais, poéticas e políticas. Entre os espetáculos realizados estão Floresta Encantada (1993), Sermão do Monte (1994), Reencontro (1996–1999) e O Elo Perdido (1999–2001), além de diversas leituras encenadas de autores clássicos e contemporâneos, como Oswald de Andrade, Nelson Rodrigues, William Shakespeare, Carolina Maria de Jesus e Anton Tchekhov.

 

A companhia estreou obras marcantes como Faustino (2001–2003), Última Estação (2002–2016), O Santo Inquérito (2006–2009), Navalha na Carne (2009–2010) e Gotas de Saberes (2019–2025), este último contemplado pelo Edital Banco da Amazônia e premiado no Festival de Teatro da Amazônia em 2022. Participou de importantes eventos como a Mostra Macuxi das Artes, Festival Internacional da Amazônia, Mostra Cariri das Culturas e Circuito Amazônia das Artes.

 

Em 2015, a companhia criou o espaço Usina Cultura, sua sede artística em Boa Vista, que passou a abrigar atividades de formação, criação e difusão cultural. Nos anos seguintes, realizou a leitura encenada de Quarto de Despejo (2019), estreou o infantil O Boi Blimundo (2024) e lançou a performance Navio Negreiro (2025), além de circular com o projeto Entre Brasis, em parceria com o Grupo Baquetá (PR), contemplado com o Prêmio Myriam Muniz – Leda Maria Martins, na categoria Muriquinho.

 

Instagram: @usinacultura

Atriz e artista, com experiência em teatro e audiovisual. Atualmente, faço parte do grupo Arteatro, com participação no espetáculo “O Boi Blimundo” e “Gotas de Saberes”. Este último conta histórias Macuxi com cantos Wapichana e está em circulação pela Amazônia das Artes do Sesc, com apresentações em 15 estados brasileiros. Também participei do projeto “Entre Brasis” pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) Leda Maria Martins e Rouanet Norte, com foco em apresentar o “Gotas de Saberes” em territórios indígenas e quilombolas. Iniciada no candomblé para o Orixá Obaluaye, com o nome Azandemi no Ilê Axé Obá D’Alaguinan. 

Atriz e produtora cultural da Cia Arteatro (RR), é formada em Gestão Pública e possui licenciatura em Artes Visuais. Também é especialista em Gestão Pública Municipal e mestranda em Economia da Cultura, Políticas Cultuais e Indústrias Criativas. Atua no Fórum de Artes Cênicas de Roraima e integra a equipe de gestão do Usina Ponto de Cultura.

Daya, amazônida, roraimense, artista, artivista, professora e pesquisadora do Curso de Artes Visuais na UFRR, possui graduação em Artes Plásticas (2011, UFAM) e Psicologia (2007, Nilton Lins). Desde 2008, durante sua graduação em Artes, iniciou trabalhos que refletem seu profundo envolvimento com a natureza e os elementos enraizados de sua cultura local, permeando a temática indígena. Em 2018, obteve o mestrado no PPGSOF-UFRR, com a dissertação “Arte Indígena: miçangas na cultura Ye’kuana”. Em 2022, concluiu o doutorado no Instituto de Artes da UNESP, com a tese intitulada “Vovó Barro (ko’ko Non): cerâmica Macuxi em terras de Makunaimî – Roraima”. Sua produção artística e pulsação criativa são profundamente influenciadas pela vivência no extremo norte do Brasil, em Roraima, onde utiliza elementos da natureza e grafismos como marcas principais de suas obras. Dentre as linguagens exploradas pela multiartista estão as pinturas corporais com sumo de jenipapo, pintura em tela e murais, fotoperformance, performance e cerâmica.

Pam Menezes Duarte é roraimense, formada em Letras e produtora cultural. Filha da piauiense Genivan de Menezes e do maranhese Josimar Duarte, é a típica “filha do Norte, neta do Nordeste”. Pessoa não-binária, seus pronomes são ela, ele, elu. Atua como produtora cultural desde 2023, tendo iniciado como Analista de Cultura, no Sesc Roraima. Com foco em organização de eventos, shows, espetáculos e atividades formativas na área da música, produziu pelo Sesc os projetos Sonora Brasil, Canta Roraima e Sesc Partituras. Desde 2024, trabalha com produção na área de audiovisual e artes cênicas. Desde 2024 atua como produtora da Cia Arteatro (RR) e do Usina Ponto de Cultura, produzindo os espetáculos Gotas de Saberes, O Boi Blimundo e a performance Navio Negreiro. Com o Gotas de Saberes, tem realizado circulação dentro de Roraima, por meio da Fundação Nacional de Artes (Funarte), e na Região Norte, por meio do Programa Rouanet Norte.

Diretor de teatro com formação técnica em Direção e Atuação pela Escola de Arte Dramática (EAD) – São Paulo/SP. Em 1993, já em Boa Vista – Roraima, fundou a Cia. Arteatro. Desde então, tem atuado de forma contínua na cena teatral do estado, registrando em sua trajetória leituras encenadas e espetáculos. Foi professor de teatro na Escola Objetivo Makunaima, coordenou oficina de teatro no Projeto Crescer (Prefeitura de Boa Vista), foi chefe do Departamento de Patrimônio Cultural/SECULT (2013–2015) e atualmente integra a equipe de gestão do espaço multicultural Usina Cultura, sede do Ponto de Cultura Usina e da Cia. Arteatro. Em 2024, recebeu o Prêmio Leda Maria Martins na Categoria Muriquinho, area infantojuvenil, em reconhecimento ao projeto Entre Brasis, realizado com o grupo Baquetá (PR). Está em circuito pelo Sesc Amazônia das Artes na edição de 15 anos do projeto.

O Núcleo Abre Caminhos trata-se de um núcleo de pesquisa em teatralidade e musicalidade negra, dedicado à investigação cênica, musical e dramatúrgica. O NAC é formado por Lucaz Eusébio e Miranda Gonçalves a partir do encontro no curso de Dramaturgia da Escola Livre de Teatro de Santo André em 2019.

 

Instigades pelos materiais sobre teatro negro e a importância de construirmos contra narrativas, formamos o núcleo para ser nosso projeto coletivo de pesquisa onde podemos construir outros imaginários e novas perspectivas de futuro para nossas corpas LGBTQIAP+. 

 

Instagram: @nucleoabrecaminhos

Atriz, diretora , cantora, dramaturga, produtora cultural e arte educadora . Formada pela escola de Arte Dramática- ECA/USP e pela Escola Livre de Teatro. Atualmente trabalha como diretora no espetáculo “Tabú” que tem estreia prevista para final de 2026. É diretora do espetáculo de conclusão do curso de formação da cena da Dupla Companhia de Teatro da cidade de Tatuí. É coofundadora do grupo musical Odidere, que realiza em 2025 apresentaçõe no SESC SP. Recentemente realizou uma participaçãono Longa metragem “Criadas” da diretora Carol Rodrigues. Também trabalha como Gestoracultural independente do Núcleo Abre Caminhos , e é produtora de escrita com foco em captação de recursos para grupos teatrais e produtora executiva da Dupla Companhia.

Ator, diretor, performer e dramaturgo. Formado em Direção Teatral na SP Escola de Teatro (2022), atualmente cursa interpretação na Escola de Arte Dramática da USP. Artista independente, acredita na mistura de linguagens como potência de criação e no corpo como a grande encruzilhada entre dança, teatro e escrita. Co-fundador do Núcleo Abre Caminhos foi contemplado pelo Prêmio Zé Renato nos anos de 2020 e 2023 com o espetáculo musical infantil “Kuami – Caminhos para identidade”, o grupo realizou a adaptação da obra Kuami de Cidinha da Silva para os palcos e abordou através do samba e ritmos afro brasileiros, temas como a espiritualidade, famílias lgbtqiap+, e a busca pela identidade para as infâncias negras. Em 2020 seu trabalho autoral,  “Tirando da gaveta o corpo.”, foi contemplado pelo “Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais – VAI”, Durante o processo criativo o artista mergulhou em seus mais de 94 cadernos, desenvolveu a técnica oriental de dança Butô em confluência com a dança afro, dando origem à um solo em formato audiovisual que costura morte, vida, ancestralidade e poesia. Se dedica a pesquisas afro referenciadas, teatro negro, cultura popular, masculinidades negras e transmasculinidades na cena.